segunda-feira, 23 de maio de 2011

Na perspectativa!

Engraçado como surgem os insights! Do nada, quando você menos espera, algo em você lhe toma de surpresa; algo como um “pedala Robinho” no meio de uma palestra superinteressante. Você concentrado, refletindo sobre os problemas existenciais e, de repente, a solução cai no seu colo! Aquele problema que tinha lhe aporrinhado a semana toda, aquele problema que – aparentemente – não tinha solução, soluciona-se! Incrível! Eureca! Num rompante de alegria você sorri sozinho, busca uma caneta e um pedaço de papel para registrar a novidade. Penso que esta faculdade da mente humana é uma das mais intrigantes.
Enquanto você fica quebrando a cabeça para resolver um problema, parece que seu cérebro insiste em não dar atenção, porém quando é você que se distrai, ele acorda. Primeiro é o branco, depois, a luz! O interessante nisso tudo é encontrar a melhor maneira – cada um tem a sua – de distrair-se, enganando o cérebro. No fim, quando ele acha que você perdeu o interesse no problema, vem a solução. Parece mais um joguinho de gato-e-rato, esconde-esconde; quanto mais você procura, mais artimanhas cerebrais sua mente cria para camuflar, ocultar, esconder o fim do túnel. Pense sobre isso! Ou melhor, não pense! Esqueça! E, quando você menos esperar, você vai entender.





sábado, 19 de junho de 2010

Let’s go Cid! Esqueça a Jabulããããããããni

Ao assistir alguns jogos, notícias e opiniões sobre a Copa da África 2010, tive uma luz.
E esse insight tem motivo. Depois de vários resultados negativos e fraquinhos dos grandes da bola, encasquetei sobre qual seria a razão dessa reviravolta.
Seria o frio, a bola Jabulani, o gramado sem tradição, a lembrança constante da Shakira dançando na festa de abertura, as vuvuzelas, a crise mundial, a imaginária bomba atômica de Saddam, a lentidão do Casagrande ou ainda a narrrrrrrração do Galvão?
Para ilustrar melhor, aqui vão alguns resultados inesperados (pelo menos até o dia dessa postagem):
África do Sul 1 x 1 México
Uruguai 0 x 0 França
França 0 x 2 México
Coréia do Sul 2 x 0 Grécia
Inglaterra 1 x 1 Estados Unidos
Eslovênia 2 x 2 Estados Unidos
Inglaterra 0 x 0 Argélia
Alemanha 0 x 1 Sérvia
Itália 1 x 1 Paraguai
Espanha 0 x 1 Suíça
A resposta para tanta falta de lógica futebolística é a zebra. O animal símbolo dos pedestres tem demonstrado todo seu poderio ofensivo frente às (im)potências mundiais do ramo.
E você pode perguntar: poderia um time irreal vencer? E eu respondo: Sim, poderia! Na era da internet, da banda larga, da fibra ótica, dos filmes em 3D, do Second Life e das redes sociais, nada mais lógico que um oponente virtual/espiritual para golear o mundo físico.
A Zebra Soccer Association (leia-se zibra in english, please) joga no modo ghost, típico dos games de corrida (oponente representado por um carro em transparência que reproduz a melhor volta), usando as melhores jogadas das últimas copas como default.
Assim, para que todos tomem conhecimento da veracidade da situação, eu, na condição de designer-psicográfico, apresento a camisa e o esquema do time.
Você deve estar se perguntando: Como sei disso? Como sou publicitário, e a publicidade é a filha do capeta (leia o post anterior), tenho um link direto com o servidor dos espíritos brincalhões.
O que sei é que o esquete alvinegro da savana, patrocinado e uniformizado pela empresa de artigos esportivos La Bruja - La marca del gatito negro (uma genuína marca hermana) joga no esquema 11-11-11, um esquema revolucionário onde os próprios jogadores adversários atacam e defendem para a Zebra.
Abaixo vocês podem ver a camiseta que fiz para a equipe.
Aproveito para dizer que se alguma empresa de artigos esportivo (que não a La Bruja) tenha interesse em produzir a camisa, informo que os direitos são meus e ninguém tasca (a não ser por uma boa quantia em dinheiro).
Enfim, trouxe em primeira mão a solução para o enigma Fifa World Cup 2010.
É com você, Galvão!








Publicidade: a filha do capeta!

Primeiro vou largar a bomba, botar lenha, ligar o pavio....
A música não é nova, mas ainda toca e é elogiada pelos radialistas com frases do tipo "baita som dos Engenheiros...". Leia!

3ª Do Plural (Engenheiros do Hawaii - Composição: Humberto Gessinger)
Corrida pra vender cigarro
Cigarro pra vender remédio
Remédio pra curar a tosse
Tossir, cuspir, jogar pra fora
Corrida pra vender os carros
Pneu, cerveja e gasolina
Cabeça pra usar boné
E professar a fé de quem patrocina
Querem te matar a sede, eles querer te sedar
Eles querem te vender, eles querem te comprar

Quem são eles?
Quem eles pensam que são?

Corrida contra o relógio
Silicone contra a gravidade
Dedo no gatilho, velocidade
Quem mente antes diz a verdade
Satisfação garantida
Obsolescência programada
Eles ganham a corrida antes mesmo da largada

Eles querem te vender, eles querem te comprar
Querem te matar de rir, querem te fazer chorar
Quem são eles?
Quem eles pensam que são?

Vender, comprar, vendar os olhos
Jogar a rede... contra a parede
Querem te deixar com sede
Não querem te deixar pensar
Quem são eles?
Quem eles pensam que são?

Bom, “eles” somos nós publicitários, é claro!
Esse é o típico discurso eclesiástico que promove a culpa do sistema, ratifica estereótipos e mantém viva a lógica da desculpabilização (aquela em que a culpa é sempre do outro).
Sendo prolixo e chato: O homem, desde sempre, buscou conforto, satisfação, felicidade. John LOCKE já disse isso no século XVII. Para este filósofo o homem vive a eterna busca pelo equilíbrio entre prazer X dor. Fazemos o que queremos, fazemos o que precisamos, queremos o que precisamos e amamos fugir daquilo que não gostamos! É mais do que lógico pensar que o capitalismo, o consumismo e o demoníaco materialismo provêm da natureza humana.
Porém, como sabemos, essa crítica à publicidade, como materialização chifrudinha do engodo capitalista, não é nova. A publicidade nasceu do paradoxo da Revolução do Consumo (para quem não sabe o que é isso sugiro que leiam livros de história com mais atenção. Se quiserem leiam Cultura e Consumo de Grant McCracken , Mauad, 2003), que foi a mudança drástica – mas silenciosa – pré Revolução Industrial.
O que de fato acontece é que o avanço tecnológico e das telecomunicações, a globalização e a internacionalização da economia só viabilizam a pulsão humana.
Somos curiosos, intrigados, aventureiros até certo ponto, mas acima de tudo queremos ter controle da situação e poder sobre ela.
Antes de acabar quero levantar mais dois pontos: Para Campbell (2006), o que consumimos, e a forma como o fazemos, diz muito sobre quem somos. Na verdade, segundo ele, não compramos identidades como a crítica aponta, mas vamos às compras em função da identidade que temos.
A outra questão é mitológica. Para quem gosta de mitologia e já leu alguma coisa a respeito – desde as mais conhecidas grega e romana até as mais obscuras como a celta e a nórdica – sabe do que estou falando. A luta entre o bem o mal é abstrata. O pecado e a punição são sempre morais (além de físicos) e há sempre uma razão para tudo. No entanto, se formos analisar à fundo , percebemos que a mitologia é a consagração dos arquétipos e estereótipos. A mulher é paradoxalmente a deusa do sexo e da pureza; o homem é, também paradoxalmente, guerreiro, violento e protetor; os deuses das plantações, comidas e bebidas ( e afins) são gordinhos, tarados e egocêntricos; o mal é sempre “o lado negro”, a escuridão, entre outros......
Essas são as famosas estruturas (do estruturalismo de Lévi-Strauss, ou seja, o modus operandi do espírito humano).
É a publicidade que faz isso? Isso já está pronto! Apenas fazemos uso. Erramos ao utilizar? Claro que não! Pelo contrário! Por deixar evidente suas intenções (a venda) a publicidade escancara os preconceitos (onde estão as campanhas com deficientes, homossexuais, prostitutas, índios, casais separados, velhas safadas? Em lugar nenhum . E aqueles que já estiveram, foram "convidados" a se retirar). Diferentemente de outras áreas como Direito, Serviço Social, Administração e até Pedagogia, não nos escondemos sob o manto da falsa moral. Escancaramos mesmo e dizemos: isso é assim porque a sociedade é assim, porque você é assim. E isso inclui você, Humberto!
Hello madafaca! O que move a economia é a demanda e não a oferta. A visão geral da realidade está invertida. Bote isso na cabeça e viva melhor!
Por fim quero dizer que I have a dream de que um dia as crianças vão dizer: “quando crescer quero ser publicitário”.





terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Quem sou eu?

Depois de algum tempo voltei a escrever. Achei que já era hora de exercitar a mente em busca de novos questionamentos. É preciso deixar de lado a falta de tempo, as obrigações, os compromissos e as responsabilidades e registrar no papel idéias, que se não forem anotadas, acabarão sendo esquecidas. Perdi muitas idéias neste tempo em que fiquei sem escrever. Espero que algum dia possa recuperá-las.
Então, lá vai!
Estive pensando nas minorias, nas pessoas estigmatizadas e segregadas. Apontadas como diferentes, fora dos padrões da normalidade, à margem do caos diário, praticamente paradas, estacionadas em uma situação a eles imposta. São os famosos “eles”, “aqueles”, “outros”. Mas, espera aí! Quem sou eu?
Não sou negro, mulher nem homossexual. Não tenho mais de 65 nem menos de 16. Não sou fumante. Não recebo aposentadoria nem sou pensionista. Não sou funcionário público e também não sou gestante. Não sou (ex)drogado nem (ex)alcoólatra. Não tenho nenhuma deficiência física e nem problema mental (pelo menos até onde sei).
Não moro na periferia e meus pais não são separados. Não tenho tudo, mas também não sou miserável. Não sou nem pardo nem indígena e não estudei em escola pública. Não recebo auxílio do governo para estudar, nem bolsa família nem vale gás. Não ganho rancho (sacolão) nem roupas no inverno. Ninguém me ajuda a juntar latas, garrafas ou papelão. Não fui ajudado pela defesa civil e não sou pequeno agricultor...
Quem sou eu? Acabo concordando com Humberto Gessinger (por mais que discorde dele em vários outros pontos que discutirei em breve) quando diz que somos(sou) um exército de um homem só. É isso que chamamos individualidade?!
Você deve estar pensando: esse cara está reclamando de barriga cheia! Na verdade isso não é uma reclamação e este texto não serve de consolo para uma mente questionadora. As palavras deste texto estão colocadas nesta ordem apenas para argumentar uma coisa: Esforçamos-nos tanto para sermos todos iguais argumentando que somos tão diferentes. Confuso?! É, deu um nó!
Acredito que apontar as diferenças não resolve o problema, apenas segrega a solução. Políticas para minorias são políticas que excluem. Fazem a mesma coisa que querem (ou dizem querer) minimizar. É uma tentativa desesperada de criar mecanismos externos para acalmar ou confortar nossas consciências. Pena que não resolve!